TCE-AL
II ENIATC • Belo Horizonte • 30 e 31 de março de 2026

Inteligência Artificial nos Tribunais de Contas:
o que vi e o que isso significa para o TCE-AL

Relato do II Encontro Nacional de Inteligência Artificial dos Tribunais de Contas — Atricon, TCE-MG e IRB.

Áthila Vinicius (GCRPPC)

Fachada do II ENIATC à noite
Onde eu estive

Um evento nacional dedicado só a uma coisa: IA no controle público

  • II ENIATC — 2ª edição do Encontro Nacional de Inteligência Artificial dos Tribunais de Contas.
  • Realizado pela Atricon, TCE-MG e Instituto Rui Barbosa, em Belo Horizonte.
  • Reuniu tribunais de todo o Brasil, ministros do TCU, a Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, e empresas como Google e Microsoft.
  • Tema central: usar IA para fortalecer o controle e melhorar a gestão pública.
Plenária do evento
O recado do evento

“Inteligência Artificial no Controle e na Governança Pública: entre a Regulação, a Ética e a Inovação.”

O debate não foi se os Tribunais devem usar IA — isso já é consenso. Foi sobre como usar com responsabilidade: com supervisão humana, transparência e respeito a direitos.

A grande virada

De olhar o passado para antecipar o futuro

Hoje · método de sempre

Controle tradicional

Olha pelo retrovisor — só enxerga o que já passou.

  • Analisa depois que o gasto aconteceu
  • Olha apenas uma amostra dos processos
  • Foco no ato isolado
  • Verifica apenas se cumpriu a regra
Reativo: constata o problema quando o dano já ocorreu.
Para onde vamos

Controle inteligente

Funciona como um GPS — avisa o risco lá na frente.

  • Acompanha em tempo real e prevê riscos
  • Analisa 100% dos dados, não uma amostra
  • Identifica padrões e desvios
  • Aponta risco e ineficiência antes do dano
Preventivo: evita o problema antes que ele aconteça.

Como saímos do retrovisor para um GPS que avisa o problema lá na frente.

Não é futuro — já é realidade

Tribunais de Contas que já usam IA no dia a dia

TCE-RS

Apoio à decisão

IA generativa resume processos e prepara minutas de voto — o auditor revisa, não redige do zero.

TCE-AM

Amazon.IA

Assistente acoplado ao processo eletrônico, que interpreta documentos e resume autos.

TCE-BA

Raio-X de documentos

Torna milhares de páginas pesquisáveis e responde perguntas da auditoria.

TCE-SE

Ecossistema de IA

Robôs cruzam bases e apontam indícios de irregularidade — fiscalização preventiva.

TCE-ES

Chat inteligente

Pergunta em linguagem natural sobre normas e jurisprudência, dentro do sistema.

TCE-CE

“Chico”

Chat de IA que aproxima o cidadão do controle social das contas públicas.

Exemplo concreto

A IA já fala direto com o cidadão

O TCE-CE criou o “Chico”, um assistente de IA que ajuda o cidadão comum a entender e acompanhar as contas públicas.

É a prova de que a IA nos Tribunais já saiu da área técnica e virou ferramenta de transparência e cidadania.

Case Chico TCE-CE
Por que precisamos agir

O modelo de controle de sempre não dá mais conta

Foi desenhado para uma realidade que não existe mais:

  • Políticas públicas cada vez mais complexas
  • Volume gigante de dados do governo (Big Data)
  • Pressão da sociedade por eficiência, transparência e responsabilidade

É humanamente impossível revisar tudo isso no método antigo. A IA entra para dar conta dessa nova escala.

O modelo clássico de controle foi desenhado para uma realidade que não existe mais
Como seria o processo

O caminho é uma transformação estruturada, em etapas

  • Capacitar e inovar — formar pessoas, montar laboratório de dados e rodar projetos-piloto.
  • Desenvolver — criar metodologias próprias para auditar sistemas algorítmicos.
  • Institucionalizar — transformar em política e governança consolidadas no Tribunal.

Não é um projeto isolado: é um processo deliberado e contínuo.

O caminho a seguir: transformação deliberada, estruturada e contínua
Com responsabilidade

Implantar IA sem governança é o verdadeiro risco

Decisão é humana

A IA apoia e acelera; a responsabilidade e a palavra final continuam do servidor.

Transparência

É preciso poder explicar e auditar como a IA chegou ao resultado.

Dados e LGPD

Tribunais lidam com dados sensíveis — segurança e proteção são inegociáveis.

Sem viés

Mal governada, a IA pode repetir e ampliar desigualdades.

A ausência de governança sobre a IA gera um grave déficit democrático
Um pouco do clima

O evento por dentro

Um caminho viável

Não precisa começar do zero nem sozinho

Um ponto repetido no evento: muitos tribunais avançaram em parceria com universidades, que ajudam a desenvolver e implantar as soluções de IA.

  • Reduz custo e risco do projeto
  • Traz conhecimento técnico qualificado
  • Alagoas tem instituições fortes (UFAL, IFAL) para essa parceria

TC + Universidade

O Tribunal traz o problema real; a universidade traz pesquisa, alunos e desenvolvimento. Resultado: solução sob medida, com custo controlado.

Onde o TCE-AL está

A leitura que eu trago de volta

Muitos tribunais já saíram na frente. O TCE-AL ainda está nos primeiros passos.

Isso não é uma crítica — é uma janela de oportunidade. Quem começa agora aprende com o caminho já trilhado pelos outros e evita os mesmos erros. Mas a janela não fica aberta para sempre.

A oportunidade de unir o trabalho humano e a inteligência artificial
Próximos passos

Por onde o TCE-AL pode começar

1

Escolher uma dor

Um problema real e repetitivo — ex.: leitura de muitos documentos em auditoria.

2

Projeto-piloto

Começar pequeno, com objetivo claro e resultado mensurável.

3

Buscar parceria

Universidade e/ou tribunais que já fizeram — aprender com quem já anda.

4

Governança desde o início

Supervisão humana, segurança de dados e transparência como base.

Para levar

A IA não substitui o servidor — ela fortalece o controle.

Outros tribunais já provaram que dá certo e é viável. O melhor momento para o TCE-AL dar o primeiro passo é agora.

Áthila Vinicius (GCRPPC)

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